O Desenvolvimento das Competências Socioemocionais como Ferramenta para Potencializar as Relações Educacionais.
- coordenação djiliah
- 16 de ago. de 2024
- 15 min de leitura

Resumo: O presente artigo explora o papel das competências socioemocionais no ambiente educacional, discutindo suas definições, desafios de implementação e impactos nas relações entre estudantes e educadores. A educação socioemocional é uma abordagem que integra o desenvolvimento emocional e social aos currículos acadêmicos, promovendo habilidades essenciais para a vida.
Palavras-chave: Competências socioemocionais, educação socioemocional, relações educacionais, avaliação externa, ensino por competências, políticas educacionais.
1. O que é educação socioemocional?
A educação socioemocional refere-se ao processo de desenvolvimento de habilidades que permitem aos indivíduos reconhecerem e gerenciar suas emoções, estabelecer relacionamentos saudáveis, tomar decisões responsáveis e lidar com desafios de maneira construtiva. Ao contrário do foco tradicional em conteúdos acadêmicos, a educação socioemocional busca integrar o aprendizado emocional e social às práticas educacionais, promovendo o bem-estar geral e a preparação dos alunos para a vida fora da escola.
De acordo com Zins et al. (2004), as competências socioemocionais são fundamentais para o sucesso acadêmico e pessoal, contribuindo para a criação de ambientes de aprendizagem mais positivos e inclusivos. O desenvolvimento dessas competências envolve a promoção de habilidades como empatia, resiliência, comunicação eficaz e autocontrole. Essas habilidades permitem que os alunos não apenas interajam de forma mais eficaz com seus pares, mas também desenvolvam uma compreensão mais profunda de si mesmos e do mundo ao seu redor.
Além disso, a educação socioemocional tem sido reconhecida como um componente crucial para a formação integral do aluno, promovendo um equilíbrio entre o desenvolvimento cognitivo e emocional (OLIVEIRA, 2012). Essa abordagem ajuda a prevenir comportamentos de risco, aumentando o senso de pertencimento e segurança no ambiente escolar.
A implementação da educação socioemocional requer a formação contínua dos educadores para que possam promover e modelar essas habilidades efetivamente. Isso envolve o desenvolvimento de currículos que integrem práticas socioemocionais ao ensino diário, criando um ambiente de aprendizado onde os alunos se sintam apoiados e valorizados. Essa integração é essencial para garantir que os alunos não apenas apropriem-se dos conhecimentos acadêmicos, mas também desenvolvam habilidades críticas para a vida.
Por fim, a educação socioemocional promove um entendimento mais profundo das diferenças culturais e sociais, ajudando a construir uma sociedade mais justa e equitativa. Ao ensinar os alunos a valorizarem a diversidade e a resolver conflitos de maneira pacífica, as escolas se tornam microcosmos de uma sociedade que valoriza a inclusão e o respeito mútuo (RIBEIRO, 2018). Assim, a educação socioemocional não apenas beneficia o ambiente escolar imediato, mas também contribui para o desenvolvimento de uma sociedade mais coesa e harmoniosa.
Cinco macro competências socioemocionais
De acordo com o Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning (CASEL), as cinco macros competências socioemocionais incluem:
Autoconhecimento: Capacidade de reconhecer as próprias emoções, pensamentos e valores e compreender como eles influenciam o comportamento (GOLMAN, 1995). Essa competência está ligada à consciência emocional, essencial para a regulação emocional e para o desenvolvimento de uma autoimagem positiva.
Autogestão: Habilidade de regular emoções, pensamentos e comportamentos em diferentes situações, incluindo o gerenciamento de estresse e o estabelecimento de metas (DUCKWORTH & SELIGMAN, 2005). A autogestão permite que os indivíduos mantenham a calma e o foco em situações desafiadoras.
Consciência social: Capacidade de mostrar empatia, compreender perspectivas alheias e respeitar a diversidade (EISENBERG, 2006). A consciência social é fundamental para a construção de comunidades escolares inclusivas e respeitosas.
Habilidades de relacionamento: Aptidão para estabelecer e manter relacionamentos saudáveis, comunicar-se de forma eficaz e colaborar com os outros (WEISSBERG et al., 2015). Estas habilidades são cruciais para o trabalho em equipe e para resolver conflitos de maneira construtiva.
Tomada de decisões responsável: Capacidade de fazer escolhas construtivas e éticas sobre o comportamento pessoal e a interação social (MERS et al., 2009). A tomada de decisões responsável envolve considerar as consequências de ações para si e para os outros.
Essas macros competências são interdependentes e, juntas, contribuem para o desenvolvimento integral dos alunos, preparando-os para enfrentar desafios acadêmicos e sociais de forma eficaz e ética. A autogestão, por exemplo, não apenas apoia o controle emocional, mas também é fundamental para alcançar metas pessoais e acadêmicas, enquanto a consciência social fortalece a empatia e a compreensão intercultural, que são essenciais em sociedades cada vez mais diversificadas (PARKER, 2017).
Além disso, essas competências fornecem uma base sólida para o desenvolvimento de habilidades mais complexas e específicas, como a liderança e a resiliência (GARDNER, 1999). A prática dessas competências em contextos educacionais permite que os alunos se tornem cidadãos engajados e responsáveis, capazes de contribuir positivamente para suas comunidades e para a sociedade como um todo.

A implementação dessas competências no currículo escolar requer a integração de atividades práticas que permitam aos alunos vivenciarem e aplicar essas habilidades no dia a dia (MOURA, 2011). Isso pode incluir projetos colaborativos, simulações de resolução de problemas e discussões em grupo que incentivem a reflexão crítica e a interação social.
Finalmente, é importante que essas competências sejam vistas não como habilidades isoladas, mas como parte de um contínuo de desenvolvimento pessoal e social (VYGOTSKY, 1984). A educação socioemocional eficaz reconhece que o desenvolvimento dessas competências é um processo contínuo e que o apoio dos educadores, família e comunidade é essencial para seu sucesso. Ao promover um ambiente de aprendizado que valorize e apoie o crescimento socioemocional, as escolas podem ajudar a moldar indivíduos bem ajustados e resilientes, preparados para enfrentar os desafios do século XXI.
Por que Ensinar Competências Socioemocionais?
1. Preparação para a Vida Adulta
Ensinar competências socioemocionais é essencial para preparar os alunos para os desafios da vida adulta. Essas habilidades, como a empatia, a resiliência e a gestão emocional, são fundamentais para navegar pelas complexidades das relações pessoais e profissionais. Em um mundo cada vez mais interconectado e diversificado, a capacidade de compreender e respeitar diferentes perspectivas é crucial para o sucesso pessoal e profissional (GARDNER, 1999).
2. Promoção da Saúde Mental e Bem-Estar
O ensino de competências socioemocionais contribui significativamente para a saúde mental e o bem-estar dos alunos. Ao aprenderem a reconhecer e gerenciar suas emoções, os alunos são mais capazes de lidar com o estresse, a ansiedade e outros desafios emocionais. Isso pode levar a uma redução dos problemas de saúde mental e a um ambiente escolar mais positivo e inclusivo (DURLAK et al., 2011).
3. Desenvolvimento de Cidadãos Conscientes e Responsáveis
Ao ensinar competências socioemocionais, as escolas ajudam a formar cidadãos mais conscientes e responsáveis. Essas habilidades incentivam os alunos a se envolverem em suas comunidades de maneira significativa, promovendo a justiça social, a igualdade e a sustentabilidade (RIBEIRO, 2018). Os alunos aprendem a importância do respeito mútuo, da cooperação e da responsabilidade cívica, valores essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
4. Redução do Bullying e Comportamentos Antissociais
As competências socioemocionais desempenham um papel crucial na redução do bullying e de comportamentos antissociais nas escolas. Ao desenvolverem a empatia e a capacidade de resolver conflitos de forma pacífica, os alunos são menos propensos a se envolverem em atos de agressão ou exclusão. Isso contribui para a criação de um ambiente escolar mais seguro e acolhedor, onde todos os alunos se sintam valorizados e respeitados (OLIVEIRA, 2012).
5. Adaptação às Mudanças e Incertezas
Em um mundo em constante mudança, a capacidade de se adaptar é mais importante do que nunca. As competências socioemocionais ajudam os alunos a se tornarem mais resilientes e flexíveis, habilidades essenciais para enfrentar incertezas e mudanças. Isso é particularmente relevante em um contexto global onde as tecnologias e as dinâmicas sociais estão em rápida evolução (SANTOS, 2019).
A Correlação entre Competências Socioemocionais e Conteúdos Atitudinais de Zabala
O desenvolvimento de competências socioemocionais tem se tornado uma prioridade nas práticas educacionais contemporâneas, dada sua importância no preparo dos alunos para a vida em sociedade. Paralelamente, Antoni Zabala enfatiza a necessidade de integrar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais na educação, com foco especial nos conteúdos atitudinais, que abordam atitudes, valores e normas essenciais para o convívio social.
Os conteúdos atitudinais de Zabala referem-se às atitudes, valores e normas que os alunos devem desenvolver ao longo de seu processo educativo. Esses conteúdos incluem aspectos como a empatia, o respeito, a responsabilidade e a cooperação, que são centrais nas competências socioemocionais. Ao focar no desenvolvimento de atitudes positivas, a educação socioemocional complementa os conteúdos atitudinais, ajudando os alunos a internalizarem e praticar valores essenciais na vida em sociedade (ZABALA, 1998).
Tanto os conteúdos atitudinais quanto as competências socioemocionais visam formar cidadãos conscientes e responsáveis. Zabala enfatiza a importância de preparar os alunos para viverem em sociedade, respeitando as normas e valores que regem as relações humanas. As competências socioemocionais, por sua vez, fornecem as ferramentas necessárias para que os alunos desenvolvam essas atitudes, promovendo a cidadania ativa e a responsabilidade social (SILVA, 2016). Por exemplo, a habilidade de trabalhar em equipe requer que os alunos desenvolvam atitudes de cooperação e respeito mútuo, conteúdos atitudinais que Zabala destaca como essenciais. As atividades em sala de aula que promovem a comunicação eficaz e a resolução de conflitos são exemplos de como esses conteúdos podem ser trabalhados de forma integrada (GONSALVES, 2018).
Um dos objetivos dos conteúdos atitudinais é promover a autonomia dos alunos, ajudando-os a se tornarem responsáveis por suas ações e decisões. As competências socioemocionais, como a autodisciplina e a autorregulação, são fundamentais nesse processo. Elas capacitam os alunos a gerenciarem suas emoções e comportamentos, permitindo que desenvolvam a capacidade de tomar decisões éticas e responsáveis (DUCKWORTH & SELIGMAN, 2005).
Zabala também aponta que os conteúdos atitudinais são essenciais para criar um ambiente escolar positivo e seguro. As competências socioemocionais contribuem para esse objetivo, pois incentivam comportamentos pró-sociais e reduzem a incidência de conflitos e bullying. Ao desenvolver a empatia e a compreensão, os alunos aprendem a valorizar a diversidade e a cultivar relações respeitosas com seus pares (RIBEIRO, 2018).
Os conteúdos atitudinais incluem a construção de valores éticos e morais que guiam o comportamento dos alunos. As competências socioemocionais ajudam os alunos a refletirem sobre seus valores e a aplicá-los em situações do dia a dia. Essa interseção é crucial para o desenvolvimento de uma ética pessoal que informe suas decisões e ações ao longo da vida (NÓVOA, 1991).
Finalmente, tanto Zabala quanto os defensores da educação socioemocional reconhecem que a integração dos conteúdos atitudinais enriquece a experiência educacional dos alunos. Ao equilibrar o ensino de conhecimentos teóricos (conteúdos conceituais) com o desenvolvimento de competências práticas (conteúdos procedimentais) e atitudinais, as escolas podem proporcionar uma educação mais completa e significativa, preparando os alunos para os desafios do século XXI (SCHOENFELD, 2015).
Implementação da Educação Socioemocional no Ambiente Educacional
Implementar a educação socioemocional de forma eficaz envolve a integração dessas competências ao currículo existente e o treinamento adequado dos educadores para promover essas habilidades em sala de aula (DURLAK et al., 2011). Programas bem-sucedidos de educação socioemocional frequentemente incluem atividades colaborativas, discussões em grupo, jogos de papéis e reflexões pessoais.

Pesquisas indicam que a implementação sistemática e bem planejada da educação socioemocional pode levar a melhorias significativas no clima escolar, no comportamento dos alunos e no desempenho acadêmico geral (JONES & DASEL, 2014). Educadores desempenham um papel central, servindo como modelos de comportamento socioemocional positivo e criando um ambiente de sala de aula que promove o diálogo aberto e a empatia.
Além disso, é essencial que as escolas cultivem parcerias com as famílias e a comunidade para reforçar o aprendizado socioemocional fora do ambiente escolar. A colaboração entre escola, família e comunidade pode fornecer um suporte abrangente para o desenvolvimento socioemocional dos alunos (ELIAS et al., 1997).
As escolas podem implementar práticas de educação socioemocional por meio de currículos que incorporam essas habilidades de forma explícita e integrada, permitindo que os alunos pratiquem e desenvolvam essas competências em contextos variados (GONSALVES, 2018). Isso pode incluir atividades interdisciplinares que conectem o aprendizado socioemocional com conteúdo acadêmicos tradicionais, como a matemática e a literatura, promovendo uma abordagem de ensino mais holística.
Outro aspecto crucial da implementação é a formação contínua de educadores, que precisam estar capacitados para facilitar o desenvolvimento dessas competências em seus alunos (NÓVOA, 1991). Isso requer investimentos em programas de formação e desenvolvimento profissional que equipem os professores com estratégias e recursos para incorporar práticas de ensino socioemocional em suas rotinas diárias.
Por fim, a implementação bem-sucedida de práticas de educação socioemocional exige um compromisso institucional com a criação de um ambiente escolar que valorize e promova o bem-estar emocional e social (SILVA, 2016). Isso inclui políticas e práticas escolares que incentivem o respeito, a inclusão e a colaboração, criando uma cultura escolar que apoie o desenvolvimento integral dos alunos e fomente relações positivas entre todos os membros da comunidade escolar.
Estratégias e Práticas para o Desenvolvimento Socioemocional em Sala de Aula
1. Atividades de Autoconsciência
Promover a autoconsciência é fundamental para o desenvolvimento socioemocional. Os professores podem introduzir atividades que incentivem os alunos a refletirem sobre suas emoções, pensamentos e comportamentos. Isso pode ser feito através de diários emocionais, onde os alunos escrevem sobre seus sentimentos diariamente, ou sessões de meditação guiada, que ajudam a desenvolver a atenção plena.
2. Discussões em Grupo
Facilitar discussões em grupo sobre temas relevantes pode ajudar os alunos a praticarem a comunicação eficaz e a empatia. Os professores podem propor tópicos que incentivem os alunos a expressarem suas opiniões, ouvirem ativamente e considerarem perspectivas diferentes. Essas discussões também podem incluir a análise de dilemas éticos ou cenários fictícios que desafiem os alunos a pensarem criticamente.
3. Jogos de Papéis e Simulações
Os jogos de papéis são uma excelente maneira de os alunos explorarem e praticarem habilidades sociais em um ambiente seguro. Os professores podem criar cenários que exijam que os alunos resolvam conflitos, negociem soluções ou trabalhem em equipe para alcançar um objetivo comum. Essas atividades ajudam a desenvolver a empatia, a comunicação e a resolução de problemas.
4. Projetos Colaborativos
Incorporar projetos que exijam colaboração entre os alunos é uma forma eficaz de promover competências como o trabalho em equipe e a responsabilidade. Os professores podem designar tarefas em grupo que incentivem os alunos a compartilhar ideias, dividir responsabilidades e avaliar o progresso do grupo. Projetos colaborativos também permitem que os alunos aprendam a lidar com desafios e conflitos de forma construtiva.
5. Feedback Constante e Construtivo
Oferecer feedback regular e construtivo é essencial para o desenvolvimento socioemocional dos alunos. Os professores devem criar um ambiente onde o feedback seja visto como uma oportunidade de crescimento, não como crítica. Isso envolve reconhecer os esforços e progressos dos alunos, além de oferecer orientações sobre como eles podem melhorar suas competências socioemocionais.
6. Integração com o Currículo Acadêmico
As competências socioemocionais podem ser integradas em todas as áreas do currículo acadêmico. Os professores podem incorporar discussões sobre emoções e valores em aulas de literatura, por exemplo, analisando personagens e suas motivações. Na matemática, os professores podem trabalhar com problemas que exigem colaboração e comunicação para serem resolvidos. Essa integração ajuda os alunos a verem a relevância das competências socioemocionais em contextos diversos.
7. Ambientes de Aprendizado Inclusivos
Criar um ambiente de sala de aula que valorize a diversidade e a inclusão é crucial para o desenvolvimento socioemocional. Os professores podem promover a aceitação e o respeito através de atividades que celebrem as diferenças culturais e individuais dos alunos. Isso pode incluir a organização de eventos culturais, a introdução de materiais didáticos diversos e a facilitação de discussões sobre igualdade e justiça social.
Envolvimento da Comunidade e Colaboração
O envolvimento da comunidade e a colaboração são componentes críticos para o sucesso da educação socioemocional. Quando as escolas, famílias e comunidades trabalham juntas, elas criam uma rede de apoio que reforça e amplia o impacto das práticas de desenvolvimento socioemocional (BRONFENBRENNER, 1979).
Para que a educação socioemocional seja eficaz, é importante que as escolas desenvolvam parcerias com pais e cuidadores, garantindo que as lições e práticas aprendidas na escola sejam reforçadas em casa (EPSTEIN, 1995). Isso pode ser alcançado por meio de workshops, reuniões de pais e programas comunitários que incentivem a participação ativa dos pais no processo educacional.
A colaboração entre escolas e comunidades também pode levar à criação de programas e iniciativas que incentivem o desenvolvimento socioemocional fora da sala de aula (COLEMAN, 1988). Isso inclui atividades extracurriculares, como esportes, artes e voluntariado, que oferecem aos alunos oportunidades adicionais para praticar e desenvolver suas competências socioemocionais em contextos reais.
Além disso, as comunidades podem desempenhar um papel importante na promoção de um ambiente escolar que valorize e apoie o desenvolvimento socioemocional (PUTNAM, 2000). Isso pode incluir a criação de políticas locais que incentivem práticas educacionais inclusivas e a provisão de recursos e suporte para escolas e educadores.
O envolvimento da comunidade também pode ajudar a garantir que a educação socioemocional seja relevante e culturalmente sensível, adaptando-se às necessidades e contextos específicos dos alunos e suas famílias (LADSON-BILLINGS, 1995). Isso pode aumentar a eficácia dos programas de desenvolvimento socioemocional, garantindo que eles sejam significativos e impactantes para todos os alunos.
Por fim, a colaboração entre escolas, famílias e comunidades pode levar à criação de redes de apoio mais fortes, que não apenas beneficiam os alunos, mas também fortalecem o tecido social da comunidade como um todo (COLEMAN, 1990). Ao promover uma abordagem comunitária para a educação socioemocional, podemos criar ambientes onde todos os membros da comunidade se sintam valorizados e apoiados.
Desafios e Oportunidades em Políticas Públicas
As políticas públicas desempenham um papel crucial na promoção e apoio à educação socioemocional em larga escala. No entanto, existem desafios significativos na implementação de políticas eficazes que integrem plenamente o desenvolvimento socioemocional no sistema educacional (BRASIL, 2018).
Um dos principais desafios é a necessidade de equilibrar as demandas de avaliação tradicional (avaliações externas) com o desenvolvimento de competências socioemocionais, que são mais difíceis de medir quantitativamente (RAVITCH, 2010). Isso requer a criação de novos modelos de avaliação que reconheçam e valorizem as competências socioemocionais ao lado das acadêmicas.
Além disso, é necessário garantir que os educadores recebam a formação e o suporte necessários para implementar práticas de ensino socioemocional de forma eficaz (REGO, 2003). Isso pode incluir a provisão de recursos (salários dignos e cumprimentos legais como a Lei do Piso) e financiamento para programas de desenvolvimento profissional, bem como a criação de redes de apoio para educadores.
As políticas públicas também devem abordar as disparidades de acesso à educação socioemocional, garantindo que todos os alunos, independentemente de sua localização ou contexto socioeconômico, tenham a oportunidade de desenvolver essas competências essenciais (SILVA, 2016). Isso pode incluir a implementação de programas de educação socioemocional em todas as escolas, bem como a provisão de suporte adicional para escolas em áreas desfavorecidas.
Por outro lado, as políticas públicas oferecem oportunidades significativas para a promoção da educação socioemocional. Ao estabelecer diretrizes e padrões para a implementação dessas práticas, os formuladores de políticas podem ajudar a garantir que todas as escolas adotem abordagens consistentes e eficazes para o desenvolvimento socioemocional (BRASIL, 2018).
Além disso, as políticas públicas podem incentivar a pesquisa e a inovação na área de educação socioemocional, promovendo o desenvolvimento de novas estratégias e abordagens para apoiar o crescimento emocional e social dos alunos (MORIN, 1999). Ao criar um ambiente que valorize o bem-estar emocional e social dos alunos, podemos ajudar a preparar a próxima geração para os desafios e oportunidades do século XXI.
Referências
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